
Guilherme permanece bobo. Frágil como uma estátua cuidada de vidro sempre prestes a cair e quebrar, com um ruído seco e inaudível. Guilherme passeia pela casa pr'aquietar os vexames deletérios de seu coração mal criado, que são muitos. Vexames que perspassam aqueles quando se amassam os papéis todos em bolinha. Vexame pior que o do gesso de diversão que se quebrava em suas mãos. Tudo quando e quanto a primavera ainda dura. E infelizmente, toda a verdade que circula nesse coração acentua todo esse destrambelho. Circula como um circuito que transgride cada parafernalha viva. Uma bala disparada que arrebenta quase tudo. Guilherme finge uma cama; telefone não. Diz coisas difíceis suficientes pr'deixar alguém sem palavras. Não, ele não sabe se livrar. Um livramento quase impossível como aquele outro da garota que dançava ao seu lado. Um livramento difícil de esquecer. Um vício de se lembrar que lhe acomete. Um assobio de manhã cedo, caindo noite estrelada adentro! Uma calçada, mais alguém, tudo de mentira. Um barulho no estômago, repique na cabeça, é coração chantageando! Só restam crises fugazes de causas e causén's delicadamente desnecessários.
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