Num breve passeio pela casa, preciso de um silêncio reservado. Quero falar mentalmente sobre alguma coisa que não consigo conhecer. Não sei dizer o que é. Amor e pavor ainda não distingo. Sinto como se Deus olhasse, mas estivesse indiferente a essa hora - o que me atinge como uma luz doida que sai do ar e penetra na água. E ao mesmo tempo que me consolo, me pego numa agonia que parece viva e tem vontade própria, e se torna agressiva por um meio. Parece que uma fauna inteira vai me devorar. E o abrigo que construí agora se perde - acho que me vi. O silêncio que peço também é "pensamental". Quero ter uma solidão de cabeça, daquela que se esquece nome, feição, corpo, e se parece com uma hipnose. Me cansa pensar 15 linhas por segundo. E me cansa não chegar a lugar nenhum e ser a mesma coisa. E me canso tanto que chego a ficar de luto de mim mesmo. Quero é ser levado pra o lugar onde eu exista suavemente.

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