Vi teu rosto no cômodo mais sublime e encarei tua respiração ruminante testa a testa lutando contra uma dor aguda que violentava meu peito. A verdade é que, se não entendo o que me dizes, não procuro ir profundo. Não posso decifrar tudo sozinho, não posso nem me decifrar - e nem sei. Convivo melhor na luz da manhã - é que essa hora ainda não desmistifiquei o sonho que tive. Aos poucos, a casa vai deixando de ser obscura cheia de uma segurança que não era para ter. São onze e meia da manhã, mas se parece cinco da madrugada - a hora que sinto teus olhos em cima de mim. Temo que tua mágica me destrua. E temo que aquela dor violenta me destrua lentamente, o que não suportaria, porque lentamente é cansativo; destruir tem que ser como uma explosão de luz. Uma explosão que às cinco da madrugada acabaria com a avidez de minhas mãos de precisarem sentir tua sinergia toda poderosa e do coração em amar-te. A essa hora já não estás mais parado defronte a mim ou escutando sorrateiramente pelas costas tudo o que me vem sobre o que és. E sei que trocando minha vida de lugar, tu serias ainda a mesma coisa.

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