Vou falando comigo: Eu sou eu há muito tempo. O problema é que EU sou EU demais e me queimo como uma chama que não aguenta mais o próprio calor - e como viver numa armadilha tão obscura? É que caí e não consigo mais sair. Há uma centena de espadas apontadas para mim, e eu só preciso escolher quais me atingem de vez em vez a fim de sobreviver. É que cada golpe me priva de alguma coisa. Faltam quinze unidades de tempo para o que se parece a madrugada, mas não tenho certeza, porque fiquei com medo de contar e pensar que o próximo golpe seria ficar sem o silêncio. Não entendo essa realidade formada por traços e planos perfeitos - e se tento ir mais profundo, me lanço numa aventura randômica. A única coisa que faz sentindo é quando me debruço sobre o que escrevo e sonho que me transformo num gato vivendo uma vida só de amor ou simplesmente uma vida própria. Fui coberto com um manto roxo por alguém que enxugou minhas lágrimas, largou minha mão e me ordenou uma coragem sagrada. E nisso tudo há extremos: é tudo e nada: amor e morte. E não tem como ser menos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário