quinta-feira, fevereiro 13, 2014

CONFISSÃO!

Subitamente senti meu coração bater arfante, quase ritmado por uma melodia que parecia ser a mistura de uma sinfonia dramática de Tchaikovsky com o assobio da infelicidade, à medida que, inconscientemente, chamava por um Deus que eu não sabia se me ouvia pra conter a tristeza que já insuportável tentava sair. E tentava sair porque eu não cabia ali e não deveria estar ali, onde era quase impossível ficar sereno. Os nervos naturalmente decrépitos convaleciam e meu sofrimento aumentava diante do inferno que era padecer dentro daquele lugar cruel. E era tudo tão forte que podia sentir minhas costelas sendo atacadas enquanto as entranhas se comprimiam e se expandiam. Eu não sabia se aquilo era o mundo ou se, na verdade, era a gênesis do mundo, onde todas as coisas eram nefastas, desorganizadas e estavam longe de serem compreendidas e amáveis, e dominada por seres vis. E eles insistiam em sentar ao meu lado, fazendo parecer que sua única fonte de energia era me causar todo o improprério que fosse possível. E eu só querendo a libertação da alma. Naquele momento, enquanto todo o pensamento já era a própria loucura, vomitei tudo o que era possível e comecei a definhar por um sufocamento que cresceu da indiferença que emanava de uma alma em particular. Nunca havia sentido a morte, mas eu queria mesmo morrer, bem ali, na frente de toda aquela cena sub-mundana pra que o corpo exalasse o cheiro de asco, dor e tristeza de uma só vez. Suavemente deixei as faculdades se perderem, os olhos se fecharem e a lágrima sair como um último pedido súbito de paz. 

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