sábado, março 01, 2014

SUPERFÍCIE!

Não vou dizer isso de uma forma como se descreve a morte de uma flor, porque o farei sem polimentos demais em homenagem a um corpo que tem pressa:

Hoje eu não queria escrever sobre nada, queria apenas ser estéril de mim mesmo num surto de esvaziamento onde sobrassem só coisas palpáveis. Ah como supliquei estar nessa superfície pura e que é minha por direito, por natureza e por necessidade! Agora, finalmente, estou voltando para o rumo e tratando de cumprir com excelência a minha incubêmcia-mor: uma solidão. É, solidão indefinida, porque solidão definida em absoluto com artigo "a" é impossível já que não consigo me livrar de minha própria sombra, que, por sinal, parece não se agradar com seu objeto real. Enquanto me endireito e me encaminho para o destino, emerge como um último eco da aura que vai deixando de existir um bolero bem baixinho de Dolores Duran que unido ao nada e à liberdade de tudo que se sente produzem um estado de ser para o qual eu nasci. Quero apenas sentar e ver o que o tempo faz quando perceber que simplesmente não respondo mais a sua violência hedionda. Tudo então  se acaba.

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