Meu cachorro morreu. Não tenho notícias de minha mãe há um mês. Meus sonhos ficam cada vez mais desérticos e a rotina não me deixa mais escrever, o que me obriga a ficar lembrando as coisas de cabeça, fato que nunca consegui fazer muito bem, porque os instantes são carregados demais, principalmente pra mim, que me atrapalho com a facilidade de um jovem adulto com o comportamento que não condiz com sua idade, já que paira sempre um medo de não saber ser-se, medo das múltiplas paixões, saudades e carências reprimidas. A verdade é que quando se passa tanto tempo amando devotamente tudo isso, uma hora acostuma-se à inerência dos impropérios e indecisões, e termina-se por viver uma vida sem a expectativa que um dia pareceu indissociável do corpo e que tinha como grande culpada o ser humano, sem qualquer exceção. Aliás, o que dizem sobre o ser humano ser naturalmente comunicativo é uma grande mentira. Não passa de conveniência para os tontos. Ninguém quer esperar pelo outro. Ninguém quer esperar pela resposta do outro. Uma fração de milésimo ou cinco anos têm a mesma sensação de agonia, até que se percebe que o silêncio é tudo. A verdade mesmo é que estamos sozinhos, somos sozinhos e seremos sempre sozinhos, fato que pode levar uma vida inteira pra ser entendido - normalmente através de uma epifania precedida de uma decepção - ou que nunca é aprendido. Mas quando se aprende enche-se o corpo de uma coragem que deixa o timo prestes a explodir e cheio de uma inconsequência violentamente sensual que acelera o coração e vai crescendo, crescendo, crescendo, até que se queira desbravar o mundo e sem saber onde vai dar. Viver sem expectativa é perigoso, porque fica-se sedento pelo nada. E como culpar alguém por querer o nada? sábado, novembro 15, 2014
EXPECTATIVA!
Meu cachorro morreu. Não tenho notícias de minha mãe há um mês. Meus sonhos ficam cada vez mais desérticos e a rotina não me deixa mais escrever, o que me obriga a ficar lembrando as coisas de cabeça, fato que nunca consegui fazer muito bem, porque os instantes são carregados demais, principalmente pra mim, que me atrapalho com a facilidade de um jovem adulto com o comportamento que não condiz com sua idade, já que paira sempre um medo de não saber ser-se, medo das múltiplas paixões, saudades e carências reprimidas. A verdade é que quando se passa tanto tempo amando devotamente tudo isso, uma hora acostuma-se à inerência dos impropérios e indecisões, e termina-se por viver uma vida sem a expectativa que um dia pareceu indissociável do corpo e que tinha como grande culpada o ser humano, sem qualquer exceção. Aliás, o que dizem sobre o ser humano ser naturalmente comunicativo é uma grande mentira. Não passa de conveniência para os tontos. Ninguém quer esperar pelo outro. Ninguém quer esperar pela resposta do outro. Uma fração de milésimo ou cinco anos têm a mesma sensação de agonia, até que se percebe que o silêncio é tudo. A verdade mesmo é que estamos sozinhos, somos sozinhos e seremos sempre sozinhos, fato que pode levar uma vida inteira pra ser entendido - normalmente através de uma epifania precedida de uma decepção - ou que nunca é aprendido. Mas quando se aprende enche-se o corpo de uma coragem que deixa o timo prestes a explodir e cheio de uma inconsequência violentamente sensual que acelera o coração e vai crescendo, crescendo, crescendo, até que se queira desbravar o mundo e sem saber onde vai dar. Viver sem expectativa é perigoso, porque fica-se sedento pelo nada. E como culpar alguém por querer o nada?
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