terça-feira, outubro 27, 2015

GANGRENA!

Senti tuas mãos cuidadosamente desenhadas deslizarem
e o ranger do peso de tuas pernas sobre minha fortaleza,
aproximando-se, indômito,
desbravando meus vazios
sem rastro de hesitação.

E eu, inerme, entreguei coração e alma desnudos,
diante de teus olhos lânguidos e tua boca suave dizendo-me:
“Estes sonhos que trago
fiz para serem só teus
e vos darei todos os dias”.

Tu me tomaste, e quando o fizeste,
chorei de paixão, chorei por fora e por dentro,
que não senti a lágrima escorrer
nem a emoção no tórax ricochetear
de excitação.

Já pertencia a ti
nos primeiríssimos dezoito instantes
que apareceste,
mas não senti que teu único prazer
era minha desgraça.

Nenhum comentário: