Não gosto das cinco e meia da tarde abaixo do trópico. Não gosto do céu bicolor, indeciso. Não gosto dessa hora que uma parte tem que ceder pra outra ficar. A hora que eu não sei onde por os braços, o que fazer com os olhos e se devo mexer a boca. Fico mais acuado dentro de um ônibus que circula todo dia pelo mesmo lugar parando de pouco em pouco, delongando a hora nefasta e destruindo meu controle, emoldurando as andorinhas que desesperam sedentas pelo sono. Tudo nessa hora. Fico cego de impaciência enquanto anseio a manhã cansada ou a noite prazerosa. Me resta defenestrar o tempo ouvindo meu pensamento repetido esperando essa hora passar.

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