A malignidade do mundo parou e me enchi de uma quantidade de ar que era necessária bem ali, e desnecessária para o resto de tudo. Foi o instante. O instante que balançou a Terra de forma quadrada como sempre se duvidara. mas não, aconteceu. Aconteceu quando olhei tua presença e meu corpo se cataleptizou, só havendo tempo de piscar e não entender - não tinha volta. Fiquei surdo e mudo involuntariamente, mas de olhos bem abertos graças à generosidade do estado do corpo, que me levou perto do estado do inefável, encarando-te incrédulo. Despi a alma e, com uma entrega feroz e irrelutável, sabia que minha vida mudara irrefletidamente desde então - desde que vi teu rosto pasmo, casto e tranquilo no meio de todos os cordeiros da sexta-feira. Fiquei dias para digerir a sensação desconhecida. Aéreo setenta e duas horas por dia. Esperando no relógio do âmago quando começarias a fazer parte dessa minha vida - que já era ávida. Meus pelos tremeram como que quando cai um raio colerizado, assim que ouvi tua voz grave. Já tinha o coração condenado, quando tomaste minhas mãos para si, pousando-as em teu colo, me falando coisas de sentimento e temperatura. Não consegui ser eu. Aos poucos, passei a descobrir que não nos podemos pertencer e, que os versejos que faço pensando em ti não podem ser ditos. Não posso recostar tua cabeça em meu ombro, e acariciar tua pele de copo-de-leite perante os deuses. Não posso saber o que fazes, porque receio perguntar. Não posso saber se sofres. Posso olhar em seus olhos, mas não consigo. Então eu morro. Como uma criança se retrai. E fico alternando entre uma vida de espera e uma vida desesperada.

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