Quando falo de ti é tão íntimo, porque logo me encho de uma sensualidade pura, ascendente que não consigo controlar e que ninguém jamais entenderá. Então eu prefiro não falar nada. Neste silêncio, fecham-se os meus olhos e então penso em teu corpo escorado no meu, circundados por uma aura calma, produzindo uma sôfrega aleluia de alívio e uma paz de gozo eterno, enquanto meu coração esquálido ensaia que vai explodir em energia vital. Este caminho escuro que percorri depressa e arfante foi somente para chegar no sonho doido de nós dois; e nele o tempo morreu, e quando o tempo morre é uma dádiva mesmo, porque liberta da agonia de qualquer coisa e do medo de ser o que se é. É quando tu enlaças teus braços no meu horror mais infindo, mata o animal atroz que me persegue e faz de mim um ser real. Idolatro-te todos os dias como se fosse o primeiro dia da ilusão de estar vivo. Ama-me.

Nenhum comentário:
Postar um comentário