O cansaço que tenho vai além de uma explicação ou compreensão lógica, que nenhum humano sabe do que se trata, porque vivo e amo. "vivo e amo" é tão pouco som, mas tão pesado, que parece que morro e revivo num instante só quando pronuncio, ouço e sinto. Viver é cansativo. Amar é prejuízo. É um risco desmedido, mas o perigo faz parte da minha essência que é naturalmente autodestrutiva. Não dá para ser diferente. Me lembrei que quando a gente nasce, automaticamente já se entra num estado crítico de esperar, que independente da paciência de quem espera, se não for pra ter, não se vai ter o que se quer. Isso soa como um rumo forçoso à redenção por algo que não pode ser contrariado: destino. Redenção é aceitação que é destino. Somos um pouco descendentes do deuses do olimpo, que não tinham a mínima virtude da paciência. Eu também tenho pressa, pressa que urge de dentro da carne e acontece com uma vontade doentia. E aí eu preciso gritar, mesmo cansado, e preciso que a vida acabe. A verdade é que eu não queria vida nem amor pra mim.

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