sábado, julho 05, 2014

REFLEXOS DO DESCOBRIMENTO!

Não existe lugar em que seja possível se esconder dessa realidade torta já que Deus é onisciente. Mesmo assim ainda tento fazer de minha casa uma fortaleza dócil e intransponível para qualquer tipo de impropério, o que, na verdade, não passa de um lugar frágil que não me protege por ser tão igual quanto a mim, e ainda é cheia de espíritos que amo como prazeres desconhecidos que guardo em baús por causa da dependência que tenho. De quatro anos pra cá, tentei inúmeras vezes pensar numa forma de anular aquela onisciência sobre mim, normalmente enquanto lavo as mãos ou dentro do ônibus no caminho para o Derby onde costumava ir para tentar me achar. Mas ainda não sei. Aí, enquanto isso, a vida que é a pior das mortes lentas, vai penetrando como uma bala de rifle cavando vagarosa e ardilosamente destruição sem que haja qualquer possibilidade de redenção. Fico inerte e inerme, e termino me limitando e criando o medo de romper - a ação de romper que me é intrínseca e a mais forte dentre outras coisas que me deixa vivo.

Preciso romper esse mundo que me envolve; preciso romper esse mundo que me sufoca; preciso romper esse mundo que me obriga a suplicar proteção contra desgraças, mesmo sabendo ser impossível livrar-se. Preciso romper esse mundo que todo dia tem-se que escolher entre uma coisa e outra, e tudo tem consequência. Estou repetindo freneticamente porque faço disso um ritual que eu mesmo inventei, porque a mente estava vazia e eu precisava acreditar e dar minha devoção a uma coisa só. Então eu disse que o ritual seria assim "vou repetir coisas durante o tempo em que sentir que a vida está prestes a querer ser maior que eu". Assim me preservo como um tipo de coisa que ainda vai ser descoberta. E só Deus sabe quem terá a coragem de me descobrir. 

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