Este corpo cansado nunca pediu por nada e mesmo assim carrega diariamente fardos de fatos velados pelo que nunca pediu e vive uma via-crucis por dia. O corpo que ama, chora, clama, deseja, envelhece, que pede mais a cada trovão que ricocheteia no coração. Este corpo que precisa aceitar todas as condições que lhe são impostas em todos os instantes dessa arbitrariedade que chamam de vida. E vida é coisa que não existe. O que existe e onde se está nesse momento, na verdade, não tem nome. Qual o propósito de estar nesse lugar em que a imprevisibilidade pode ser não existir mais no instante seguinte? Então continuo com tudo de mim e com tudo em mim.
Desde já, desculpe. Desculpe se sou demais e lhe assusto. Desculpe se amo demais, se sou tudo demais, e deixo minhas entranhas em carne viva para quem quiser olhar e provavelmente pensar "olha, como estão avermelhadamente sentimentais!". É que sou excessivo por natureza e não nasci para ser na medida. Não nasci para amar na medida, para sofrer na medida, pensar na medida, não nasci para os limites. Ou na verdade, nasci para aos limites, porque assim como todo ser humano inconscientemente frágil e limitado todo meu excesso também chega a um nível de coragem que beira esgotar a adrenalina, mas num vulto decresce e se estabiliza, neutralizando-me, deixando-me inerme e sem reação para tudo, principalmente, para pensar. Meu suposto excesso é uma salvação ou a destruição do corpo de uma vez.
Apenas sigo no fantasia e na realidade, sendo eu.
Eu:
Um animal que segue a naturalidade do que foi destinado a ser:
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