Sabe, hoje eu acordei e senti vontade de tomar meu café em outra xícara que não aquela amarela comum a todas as manhãs. Certas coisas mudam, outras se transformam. Mas algumas permanecem as mesmas: a xícara mudou, mas levantei da cama pensando em ti como de costume. Achei que talvez já tivesse lhe falado tudo o que tinha pra falar, mas tenho começado o dia - como este - querendo falar coisas que eu nem mesmo sei o que é - em parte sei. Sim, falar pra ti. Consegue perceber como estou sentando aqui, tomando café numa xícara diferente e ansioso e arfante a ponto de uma morte precoce? Percebe?
Tenho a sensação que sua mão não alcança a minha, e isso me faz ter que me esforçar mais para fazer minhas palavras chegarem prontas e inteiras até você. Queria dizer: eu te amo, mas precisei dizer adeus porque sabia que você não seria inteiramente meu. A vida lhe queria e lhe quer. E eu vou me tornando um ser proporcionalmente ranzinza e um pouco mais triste, porque te amo, mas não posso lhe ter. Achei que por um tempo não precisaria falar de ti, mas ainda a cada nova hora e cada novo hiato da sua presença sinto você pulsando (mais forte) dentro de mim. Eu te amo e tenho medo de não conseguir suportar. É como se eu estivesse - na verdade, estou mesmo - enterrando forçosamente algo que eu não queria ou que ainda não chegou a hora. Mas preciso pra ficar vivo.
O tempo vai passando e não consigo sair desse lugar. Às vezes tento, mas não consigo. Aí a saudade vai aumentando e aumentando, a ponto de quase ter todo o oxigênio do corpo queimado. Desculpe se falei demais como de costume, mas se você chegou até aqui, gostaria só que soubesse que penso em seu lindo rostinho todos os dias. E penso em voltar pra você.
Arre égua, só queria falar que acordei com uma puta vontade de ter você por perto.
Tá foda.

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