Não veem que eu morri?
Eu morri, não importa como foi, é um história,
história toma tempo, e tempo tem ficado escasso
nessa realidade dominada pelo excesso de lixo.
Vão viver e celebrar o Sputnik, a fibra ótica,
as drugstores, os letreiros kitsch.
Deixem-me ir.
Ou pelo menos finjam que morri e criem um motivo.
A porra que for, mas me deixem ir.
Achei meu lugar.
Chiaroscuro,
pé direito colossal
com perturbações quase nulas e uníssonas,
ninguém me vê,
eu vejo e me deito
nesta madeira que pode parecer fria, dura e desconfortável,
mas não é,
é o que eu sempre quis.
É maravilhoso e mágico.
Não precisam oferecer complacência, misericórdia, luto,
deixem para as carnes frescas e momentaneamente róseas.
O mundo já me matou, meus ciclos se encerraram.
Deixem-me sumir, sem réplicas ou tréplicas espirituais,
nem lembranças deletérias.
Estou no lugar que devo estar,
Somos só Rothko e eu.
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