Não consigo entender essa vontade umbilical e inumana de olhar-te - não diretamente nos olhos, porque Deus não me deixa - olhar-te tenro. Digo-te: é preciso paciência como a mulher que coze a colcha seis horas por dia, a qual cubro meus pés, a fim de imitar o prazer que é sentir-te no meu leito abençoado e sempre doente por ti. Acho que é teu halo de displicência que me faz agonizar perante a ti e amar-te tão catatonica e temerosamente como Santa Teresa amou. Meu coração, que oscila entre o gozo e o cansaço, flutua por uma cidade fantasma, onde a única salvação é a tua casa. Aos poucos, definho enquanto o privilégio da saudade que dedico a ti cresce num ritmo delirante. Peço-te que abras caminho para meu corpo cair, já que teu afago será a última coisa que terei antes de me entregar à Sagrada Eternidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário