Enquanto o caldo da manga escorria pelo braço, pude sentir a vivacidade do corpo ao mesmo tempo que me senti tão ordinário quanto alguma coisa ordinária que não sei e não devo dizer. O caldo parece o plasma que, delicadamente se desprendeu do sangue e, corre recém saído da cabeceira, aflito por um horizonte. Pergunto-me em que parte do corpo fica a alma. Marejado, e em meio a um silêncio pesado como concreto bruto, encarei o sumo como se não me pudesse livrar, e tal fizesse parte de mim como uma veia pura de vida. Meu coração batia arfante, porque a minha vida é assim - escorregadia e perigosa. Qualquer coisa é um estopim. Saudade é estopim, felicidade é estopim. Solidão é constante. Ajoelho-me estendendo os braços numa posição de redenção, esperando só que o caldo pingue na sombra da alma.
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