Não vislumbro mais os bons sentimentos. Comecei a nadar numa inconsequência tão forte e imprevisível que a vida agora desconhece teu filho sucumbido e sôfrego aos acontecimentos que levam o ser ao limite. Os impropérios de um dia-a-dia humano já não incomodam mais como na era passada, porque os engulo como se fossem segredos que me ocorrem - e não conto nenhum. Não me deito mais afoito em meio ao calor estivo, que já é aflitivo o suficiente, esperando receber a carta endereçada de São Paulo. Não sou mais como um animal doméstico que precisa ser cativado e sofre de ausência. Não. Hoje sou vazio como um hiato, naturalmente desprovido do apego que um dia achei ser indesligável. Hoje sou quase como um adolescente demente que tem a fantasia como sua desgraça. E o que importa se me desconheço? Resguardo tudo o que não dei numa tentativa cega e desesperada de ser algo em que ainda não me transformei.

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