Enquanto este coral de almas sentimentais anuncia a urgência que tenho para viver em paz, ouço sempre um barulho de coisa desmoronando - talvez seja eu. Sinto uma dor tão forte, que não sei se minha vida vai acabar de vez ou se serei amado para todo sempre. Dizem que vida é meio termo, mas não consigo: às vezes me sobra serenidade, às vezes me falta. Às vezes sou o sangue, e às vezes nada. Tenho falando tanto sobre medo, mas não consigo explicar do que se trata, porque medo já é palavra que dá medo, então eu tremo duas vezes. Parece que o holofote que emana do céu cintila-me como se eu fosse o escolhido. Sou eu que resguardo o portão da eterna saudade e da inquietância. Olha-me, tempo, e vos suplicarei que intercedas por mim ou que me mate, porque estou cansado de esperar. Arrependi-me de me arrepender, e cá estou eu mais uma vez procurando o ouro que larguei no lado da tristeza. (Ninguém se importa)

Um comentário:
Que lindo!
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