sábado, dezembro 22, 2012

A VIDA QUE PASSOU A SECO!

Engoli a água da torneira; passou a seco. Levantei suavemente a manga da camisa morna num movimento ascendente, como se o mundo não tivesse pressa e o tempo não fosse nefasto, criando coragem para ver a imagem da tristeza e a história de uma vida cheia de oração e desespero no espelho. Vi a formiga, que não sabia se me olhava, me detestava, me temia, me desprezava. Não entendi. Me preocupei só com a guerra que sou eu, mas tive cuidado ao me debruçar na pia com a lamúria que me segue, não sei se com pena, não sei se complacente com a fragilidade, não sei do que se trata. Só olhei e vi que vão sou eu. Olhei para o rosto que ninguém prestou atenção, encarando as juras escondidas e o costume da solidão - solidão de sol, solidão de acalanto, solidão.

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