Frágil como um moço algures, não tenho segunda pele. Não tenho reações felinas ou animalescas que denotem uma vida forte saindo de dentro, não tenho. Tenho a alma velha de cabeça baixa, de palavras entaladas que atiçam a úvula, que finge que não vê o tempo tomando conta, porque anseia a pressa do dia seguinte, do ano que vem, da vez de ser alguém. Tenho tantos poucos anos, e ainda não criei veias nos braços. Não quero ser robô que veste terno e gravata para a vida inteira achincalhado numa empresa de cartões festivos, escrevendo e desfazendo farewells, desperdiçando a melancolia de Carlos e Clarice. Quero ser o que jamais fui. Quero ser o que hei de ser. Quero ser o que preciso.

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