Uma lâmina afiada atravessa a cabeça da criatura que sou eu, pondo em inquietude o mundo que me contém ao mesmo tempo aquietando as mãos que deposito por cima da roupa que cobre o corpo intocado. Meus olhos dizem: tenho sede de júbilos e amor, mas não me enervo exacerbadamente; só quando penso no jacinto mais bonito que tenho nos fundos de casa para lhe dar em todas as vezes que vens me visitar e quero lhe pedir para ficar. Sinto sempre o medo de ser o último adeus e também o conforto de não ter a alma atormentada pela presença indecisa, sem brio. Me desprendo da propriedade de ser alguém nesse tempo, em todos os tempos e, peço que refestele-se sobre meu coração, e pese sobre mim até o momento em que nossas vidas não existam mais.

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