quarta-feira, março 06, 2013

A PONTE!

Atravesso a Ponte de São Pedro e sinto-me pequeno pelo mar, pelo concreto, pela aurora; e cativado por tudo isso. Enquanto caminho, a estrutura protetiva lateral de arame treliçado tremelica invadida pelo vento da costa oeste, o qual eu não entendo, se contorcendo e se dilatando e reclamando por conta dos meus dedos - aos poucos empoeirados - que tateiam seu espaço. Sou egoísta e continuo grosseiro dedilhando a fina leve estrutura numa viagem de um caminho só através do passeio suspenso de um metro e vinte centímetros de largura. Fico cianótico, do tom fraco do céu que vai embora e aprecio, e, gentilmente, se comunga com o rósea pesado que mimetiza a apoplexia que quase tive ao subir ali. A cabeça aérea é sufragada pelo espírito que, como uma ordem divina, requer atenção para o horizonte-paisagem. No centro da ponte, passam carros velhos e novos, ininterruptamente, formando uma redoma sônica que é capaz de hipnotizar meu corpo e acalmar meu coração. Vou indo. Olho para cima, vendo a simetria precisa do ângulo perpendicular robusto de aço entrosado ao concreto que segura tudo aquilo, pensando nos amores que não suportei - e que não me suportaram. No fim, agito o lírio frágil que tenho na mão esquerda por cima da cabeça dando um sinal: tenho a vida nas mãos.

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