sábado, março 29, 2008

LITTLE DANCING GIRL!

Emelina tomava um banho de chuva fina, n'um dia semi-nublado de pouco frio. Ela recortava leve, estrelas de formas imperfeitas. Algo aquelas imperfeições significavam, imaginava Emelina, que pausava o picotar e se via perdida agora em algum outro lugar, vendo alguma outra coisa. Reparava agora as imperfeições de sua vida, com tantas pontas em lados errados e, colagens mal feitas. Ela sentia seus órgãos se movimentarem, acusando dor de tudo aquilo. Eles pediam pr'garota parar, mas ela não cedia, ia firme, disritmando principalmente seu coração, seu pobre coração. Os dedos de Emelina já eram fundos e marcados pelo prazer. Suas pernas ficavam suadas. Sua pele suja de cola. Ela tentava, mas tentava muito sair daquele transe. Mas ela também tentava muito ficar naquele estado doentio, sem ação. Nem mesmo a cólera da chuva era suficiente pr'tirar Emelina do sofá em seu estado hipnótico. Era pior. Era como um vórtice azul que ela arregalava os olhos e pensava "que lindo!". A água e as rodas encantavam aquela colhedora de morangos. Morangos fora a primeira coisa que Emelina aprendera a recortar. Era delicioso ver os recortes e, pr'cada um deles Emelina demonstrava sua vontade com gestos em toda face, era mais delicioso. Passava tempos recortando e colando na sua agenda pessoal de gato miado, debaixo de chuva. Ela tinha o sonho de recortar toda a sua vida, mas ela tinha medo de onde iria colar. Emelina não sabia fazer nada sozinha. Na verdade, tinha uma coisa só: bolo de abacaxi. Infelizmente da última não estava não bom quanto das outras vezes. Emelina gemeu, até o último suspiro na primeira fatia do que foi seu último bolo de abacaxi. Mataram a pobre envenenada.

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