segunda-feira, março 17, 2008

INVERNO MEU!


Anita era puro êxtase
percorrendo feroz aquela rua larga, louca, imensa
acolhedora a seu suor
de casas não-amarelas e panorâmicas

Dia de Junho
céu magenta se resguardava tácito
talvez preparando um amor, um surto
Colerizou-se com uma insípida e inodora chuva
daquelas de perfeição em molhar o guarda-chuva,
que não fora levado mas sim arremessado o fim da Lua

Anita Anita, meu anjo sorridente,
que atravessa tamanho cruzamento de gente,
onde estão os pertences de você e desta rua?

Vestida de pingos imortalizados
resguardados em pele branca de boneca
Anita não sabia mais o que faria

Correndo, cantarolando, suando, ofegando
faltava também o copo vazio aberto
pr'a em sintonia, o choro cair certo

Deixa o meu amor Anita, passar
pegar o bonde e passear, se ela achar
Por folhetos de finais felizes
sem controvérsias de Nelson Rodrigues
Vai pequena heroína
deixa os diamantes belgas te iluminarem
como um novo amante que te faz suspirar

Mi amor
corre mais! sem pudor! com frescor!
de uma queda e sangue para todo sempre: amor!

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