domingo, março 09, 2008

RECADO PR'NADAR!

Era um sonho de menino. Se afogar em águas jamais conhecidas, talvez mágicas, dançantes. Numa costa, no Tietê, no Tejo, no Sena, n'um afluente perfeito. Passava noites acordado, imaginando "como seria?". E sabia que não era fácil. Ah, as estrelas! Davam um brilho singelo de avante. Outras n'em tanto. Eram recobertas por nuvens magenta. Já pensava nas cartas de despedida, nos presentes futuramente deixados, no dia perfeito. As flores também lhe recobriam de brilhantismo. Eram sempre gratas por serem retratadas no desenho dele. As borboletas, hummmm... essas lhe enchiam de algo inexplicavelmente alegre, doce e sutil. o inglês também trazia algo de muito confortante. Era uma conversação perfeita. Um jardim o-mais-que-perfeito colorido, lotado de manequins com suas caras pálidas. Já não sabia mais no que pensar. Era tentado diariamente a se tornar um deleite sórdido noturno, sabia Deus até quando. E insistia a se infiltrar em doces, gelatinas, sorvetes, pirulitos, maria-mole... que o faziam ver tantas parafernalhas e dar sorrisos involuntariamente. Queria um eco penetrando em si. Queria formas perfeitas penetrando em suas veias e circulando gentilmente por cada cavidade de seu corpo e pulsando, com direito a pontadinhas no indicador. O sono era como um complemento de sonho e vontade. Chegava a pensar que o mundo não nascera pr'a se viver. Um punhado de loucura pr'a poucos, pr'ninguém! Era tudo como uma coleção de 44 corações rosas: 22 sempre são roubados; 11 se toram incolores; 6 apagam; 3 rasgam-se; e 2 se perdem. As fantasias n'em têm mais graça, são chatas, vai ver que foi por isso que o menino se afogou!

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