domingo, março 09, 2008

METRÔ DAS 16!

Catarina se matou tão jovem, coitada. Um de seus muitos desejos era ter anorexia ou bulimia ou um desses distúrbios alimentares super legais; e sofrer por amor. Do segundo ela não tinha do que se queixar, havia se tornado perita, achava ela. Catarina um dia nadou tanto. Percorreu 400 metros n'uma velocidade impressionante! Tinha uma coleção de bichinhos e bonecas que adorava enfeitar. Eram simplezinhos, mas arrumadinhos. Ela passava horas dentro do seu quarto. A janela era bem contemplada com o céu toda hora, todo dia, todo sempre e, a fazia se perder em algum lugar. Catarina não sabia o que fazer com tantas cores e lápis de cor e giz de cera e hidrocores variadas. Colocava Badly Drawn Boy e sentia aquelas batidas suaves, inglesas. Se deliciava em novos sons. Band of Horses lhe fazia sentir ventanias rodopiantes. Bandas suecas lhe faziam escalar montes gelados e sentir friagens. Thom Yorke lhe fazia viajar pr'outros corpos, lhe dava arritmias múltiplas. Paul... Ah! Paul! Sua voz lhe enfurecia, queria tirar toda a roupa e ir até os céus. Catarina levava a mão à cabeça e, seus rabiscos se tornavam mais e mais intensos. Catarina fechava os olhos com tanta força, que parecia ficar cega. O papel ia ficando entonado com formas atuantes e sentia o coração de Catarina rasgando todo ele. Ela não parava. Estava tomada por mares e diamantes charmantes. Se lembrava de William Burroughs, Allen Ginsberg, seus gatos, seus almoços nus, seus poemas, suas drogas. Queria-os para ela. Catarina se perdera em mente condenante, era acometida por sonhos e pesadelos de faixada, matutinos e vespertinos - porque às vezes não tinha tempo de pensar de noite -. Catarina acreditava em tudo o que lhe diziam. Carregava maxibags cheias de alguma dúvida e compartimentos de indecisão. Suas gavetas eram preenchidas com pilhas de papel de desenhos sem criatividade e, um tanto de coisas indeterminadas. Catarina escrevia em inglês e resolvera agora aprender russo e dinamarquês. Para isso, comprou dicionários que passava horas lendo. Catarina tinha também um vestido feito por ela, cheio de barquinhos lindos e, tinha também uma violeta cor-de-roxo que adorava contemplar, mais uma caixinha cheia de clipes e etiquetas, completava suas coleções. Mas Catarina tinha ainda um baralho velho de cartas faltando, mas ela não queria joga-lo fora. Na verdade se assustava em pensar no arrependimento. Catarina tinha tantas coisas importantes em cada cantinho da sua vida. Não menos que isso, ela tinha uma montanha de sonhos altos, mas não sabia se viria a realizar todos ou sequer algum. A única certeza que Catarina tinha era a de sua morte, por isso Catarina se matou!

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