Não havia um dia sequer dessa merda de vida, que Raul não cuspisse sangue. Gritava por sua mãe, querendo saber o porquê daquilo. Ele ficava assustado quando seu rosto saia do reflexo do espelho e abaixava até eliminar aquela nojenta, sem graça. Mas certa noite, de tanto desenhar corações nos dedos, comer brigadeiro e beber água, Raul precisou escovar os dentes. Depois de dar a última cuspurada, parecia que finalmente havia descoberto de onde vinha aquele sangue e porquê: Raul parecia estar no encontro perfeito. A noite perfeita. O par perfeito. A hora perfeita. Tudo parecia perfeito. O instante que ele merecia e não imaginava. O tempo que ele jamais teve. Mas o caminho de volta pr'casa de Raul seria longo. Luzes não se apagaram. Mãos não se tocaram. Corpos sem contato. Beijo, cacete nenhum. Dessa vez, Raul se sentia só. Coisas passavam por sua cabeça. Algumas lhe confortavam durante a volta; já outras lhe tiravam do sério. Mas... mas Raul sentia como tudo aquilo ia embora e, ele não sabia por que motivo. Raul era só mais um bobo que queria se drogar. Nem ele mesmo sabia se explicar tamanha burrice que tinha feito. E como ia explicar pr'o seu singelo coração que seu desejo teria de ser adiado? Raul simplesmente calçou seus sapatos, vestiu seu casaco e, foi pr'casa. Foi pr'casa e desde então Raul cospe sangue todo santo dia.
sábado, março 15, 2008
VOLUNTÁRIO!
Não havia um dia sequer dessa merda de vida, que Raul não cuspisse sangue. Gritava por sua mãe, querendo saber o porquê daquilo. Ele ficava assustado quando seu rosto saia do reflexo do espelho e abaixava até eliminar aquela nojenta, sem graça. Mas certa noite, de tanto desenhar corações nos dedos, comer brigadeiro e beber água, Raul precisou escovar os dentes. Depois de dar a última cuspurada, parecia que finalmente havia descoberto de onde vinha aquele sangue e porquê: Raul parecia estar no encontro perfeito. A noite perfeita. O par perfeito. A hora perfeita. Tudo parecia perfeito. O instante que ele merecia e não imaginava. O tempo que ele jamais teve. Mas o caminho de volta pr'casa de Raul seria longo. Luzes não se apagaram. Mãos não se tocaram. Corpos sem contato. Beijo, cacete nenhum. Dessa vez, Raul se sentia só. Coisas passavam por sua cabeça. Algumas lhe confortavam durante a volta; já outras lhe tiravam do sério. Mas... mas Raul sentia como tudo aquilo ia embora e, ele não sabia por que motivo. Raul era só mais um bobo que queria se drogar. Nem ele mesmo sabia se explicar tamanha burrice que tinha feito. E como ia explicar pr'o seu singelo coração que seu desejo teria de ser adiado? Raul simplesmente calçou seus sapatos, vestiu seu casaco e, foi pr'casa. Foi pr'casa e desde então Raul cospe sangue todo santo dia.
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