Rufina olhava com tédio pr'a sua coleção de papel higiênico. Sim, claro! Ela colecionava papel higiênico todo desenhadinho. Uma história em quadrinhos feita de azul. Rufina entrava no banheiro, sentava no vaso e se esquecia de tudo o que tinha pr'fazer. Ficava com olho de peixe morto por horas, pensando nos carnavais passados (uma serpetina até saiu de sua boca). Rufina ligava a torneira, o chuveiro, apertava a discarga 2,3,4 vezes. Ela adorava barulho de água. Fluia. Rufina já havia pensando em várias formas de se matar. Ela não achava diferença mesmo em estar viva ou morta. Não queria mais pensar. Não queria mais ouvir, ver, só parar. Queria num golpe esquecer de tudo e de todo mundo. Estava num estado cataléptico progressivo. Rufina tinha inveja de Peter Pan, de seu sorriso, de seus olhos, de sua meninice. Rufina também estava à espera do beijo certo. Ela sentia seus ossos doerem. Talvez porquê há horas ela batia a mão na porta do box. Nem sequer tinha coragem de se matar. Tá ela tinha seus momentos de êxito, alguns. Mas ela não sabia também nem como aproveitar ou sei lá. Às vezes eram fortes demais pr'ela. Rufina enterrava um poquinho de seus a cada dia. Ela sabia que tudo é psicológico. Rufina também escrevia muitas cartas, pr'Seu alguém. Mas jogava-as fora no mesmo dia. Talvez faltasse coragem pr'enviar. O coração de Rufina doia tanto, que ela sentia uma dor de morte. Dia desses, deitada na cozinha, apertou tanto que ela agüentou. Foi-se, mas nunca deixou de acreditar em fadas.
quinta-feira, março 13, 2008
AN EX-HAPPY BITCH!
Rufina olhava com tédio pr'a sua coleção de papel higiênico. Sim, claro! Ela colecionava papel higiênico todo desenhadinho. Uma história em quadrinhos feita de azul. Rufina entrava no banheiro, sentava no vaso e se esquecia de tudo o que tinha pr'fazer. Ficava com olho de peixe morto por horas, pensando nos carnavais passados (uma serpetina até saiu de sua boca). Rufina ligava a torneira, o chuveiro, apertava a discarga 2,3,4 vezes. Ela adorava barulho de água. Fluia. Rufina já havia pensando em várias formas de se matar. Ela não achava diferença mesmo em estar viva ou morta. Não queria mais pensar. Não queria mais ouvir, ver, só parar. Queria num golpe esquecer de tudo e de todo mundo. Estava num estado cataléptico progressivo. Rufina tinha inveja de Peter Pan, de seu sorriso, de seus olhos, de sua meninice. Rufina também estava à espera do beijo certo. Ela sentia seus ossos doerem. Talvez porquê há horas ela batia a mão na porta do box. Nem sequer tinha coragem de se matar. Tá ela tinha seus momentos de êxito, alguns. Mas ela não sabia também nem como aproveitar ou sei lá. Às vezes eram fortes demais pr'ela. Rufina enterrava um poquinho de seus a cada dia. Ela sabia que tudo é psicológico. Rufina também escrevia muitas cartas, pr'Seu alguém. Mas jogava-as fora no mesmo dia. Talvez faltasse coragem pr'enviar. O coração de Rufina doia tanto, que ela sentia uma dor de morte. Dia desses, deitada na cozinha, apertou tanto que ela agüentou. Foi-se, mas nunca deixou de acreditar em fadas.
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